Nesta mostra, Marcos P’fúka apresenta obras com técnicas mistas, entre a pintura a óleo sobre tela e a colagem de objectos como plásticos, missangas e papel. Em alguns trabalhos tece figuras sobre a madeira. Inclui ainda um conjunto de instalações que ampliam o seu argumento sobre a emergência desse olhar ao redor, ao que é extra-corpo – inorgânico, diria a ciência convencional, ou corpo estranho, se olharmos para a obra de Marcos P’fúka.
Nas pinturas em tela, onde o plástico cai em pedaços dispersos, onde pedaços de bidões aparecem como feridas que se impõem para escancarar a decadência humana, também a vida é metamorfose. Os mochos, o bicho que a mitologia do sul colocou sobre si o mau presságio; o elefante, o peixe ou uma floresta toda, com os rios a correr sobre rochas; o mar bravo que se abre e repele o que ao seu habitat não pertence; a luz, a sombra e tudo mais a que nos propusermos a enxergar, intrigados com o confronto.
É uma exposição que nos revela a arte dolorosa, que vai para além do panfleto climático que nos é impelido pelas ondas globais, mas não deixa de confrontar, afirmar, denunciar. Aliás, estes são os desígnios da grande arte: denúncia e o exorcizar das angústias e aflições.