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Entre vozes e caminhos

Entre Santos Mabunda e Quehá, há uma mistura de técnicas e simbolismos que nos remetem à paixão que os artistas têm pelo processo de criação, na sua abordagem à vida, num estágio em que há uma transfiguração do belo e dos seus significados.

Os dois artistas são profundamente comprometidos com o detalhe e a minúcia para transpor aos olhos de meros mortais o que se passa no seu âmago, no diálogo entre a sua consciência e as coisas a volta.

Santos Mabunda (n. 1982), com o papel, a caneta, o lápis e às vezes o pincel, vai talhando com detalhes milimétricos, corpos, rostos, objectos, deixando a sua alma nesse percurso da mão. Esse trabalho é carregado de significado, desde o pessoal e o colectivo, remetendo-nos para a coreografia e o bailado. Ainda com as assemblagens dá-nos a sensação de multiplicação, a vida se repetisse nesse encontros e sobreposições. Esta mostra dos seus mais recentes trabalhos, é como se viesse dar-nos todas as certezas sobre a afirmação de um artista completo, que no caminho que escolheu, que exige a aptidão de génios e a paciência de um monge, só há um destino: a consagração.

João Paulo Quehá (n. 1975) segue pelo caminho da leveza da cor, como se procurasse deixar que os seres e os objectos tomem protagonismo, através do seu discurso e sentimentos. A preocupação de Quehá está em mostrar as pessoas e o seu subconsciente, seus desejos e o que paira a sua volta. Seguindo uma linhagem carregada dos elementos da natureza, para além do espaço habitacional, os animais e a sua relação com a vida das pessoas. É dessa leveza que nos referimos e que nos atrai para outros mundos que exigem de nós a total disponibilidade para enxergar a intenção e não a cor, nem os objectos. Um artista com espírito libertino, vocacionado a encontrar formas para as mais inusitadas e subjectivas sensações da alma, numa sociedade que se reinventa todos os dias, mas sem se ultrapassar os problemas.

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