À CONVERSA COM LUCÍLIO MANJATE

Sobre o livro “Rabhia”, vencedor da 1.ª edição do Prémio Literário Eduardo Costley White

5 Mar 18h00
À CONVERSA COM  LUCÍLIO MANJATE

"(...) O corpo foi descoberto na Rua da Candonga pelos madrugadores do bairro, os saqueadores de futuros, gente que se empoleira nas carruagens dos comboios e, contra os balázios de milicianos vigilantes, de pé, sobre a mercadoria, aposta em morrer só depois de descer às mulheres, camufladas na moita rente aos carris, o sal para temperar o carapau, o açúcar para adocicar o refrigerante maheu e a mbaula, o carvão mineral das terras de Moatize para saciar a fome dos cabralenses e iluminar o futuro em pequenas tábuas que Ti Castigo, um velho e triste carpinteiro do bairro, oferece às crianças depois de as obrigar a irem à escola, as madeiras no regaço, e acertarem, de punho em riste, a matemática dos sonhos antigos dos avós.
(…) a prostituta mais amada e odiada do Bairro Luís Cabral morreu.
(…) «Essa é minha neta Rabhia.» (...)"

LUCÍLIO MANJATE nasceu em Maputo, capital de Moçambique, a 13 de Janeiro de 1981. É formado em Linguística e Literatura pela Universidade Eduardo Mondlane e é professor de Literatura na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da mesma Universidade. É membro da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) e da Sociedade Moçambicana de Autores (SOMAS).

Obras do autor:

Manifesto, 2006
Os silêncios do narrador. Maputo: AEMO, 2010.
O contador de palavras. Maputo: Alcance, 2012.
A legítima dor da Dona Sebastião. Maputo: Alcance, 2013.
Literatura Moçambicana – da ameaça do esquecimento à urgência do resgate. Maputo: Alcance, 2015 (Co-autor)
Rabhia. Lisboa: Edições Esgotadas, 2017.
A triste história de Barcolino, o homem que não sabia morrer, Cavalo do Mar, 2018.